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O mundo mudou. O método de ensino também precisa mudar

Por   /   15 de fevereiro de 2013  /   Nenhum Comentário

Autor de 18 livros o professor Valther Maestro, pós-doutorando em Educação, defendeu mudanças no método de ensino

Planejar novas possibilidades. Esta foi a proposta da direção da Escola Sinodal Sete de Setembro ao reunir os professores nos dias 13 a 15 de fevereiro, preparando o ano letivo que inicia na segunda-feira (18).

– Os estudantes mudam muito rápido, o mundo muda muito rápido e a gente não da conta destas mudanças. Um encontro como este possibilita planejar e preparar para enfrentar as mudanças. Temos que entender que o mundo do estudante é dinâmico e a escola ainda não é tão dinâmica – observou o pós-doutorando Valther Maestro, convidado da direção da escola para a atividade preparatória dos professores.

Autor de 18 livros, o professor Valther Maestro é palestrante, formado em Geografia, especialista em Questões Ambientais, mestre em Geografia Humana, doutor em Educação e pós-doutorando em Educação. No intervalo do encontro ele recebeu a editora do jornal A Folha e do portal AfolhadoSul para conversar sobre o tema que o trouxe para Não-Me-Toque pela quinta vez nos últimos três anos. Foram dois encontros com pais dos alunos, dois com os alunos e um com os professores.

A atividade na quarta-feira teve o objetivo de planejar ações diferenciadas e verificar como elas vão se concretizar na sala de aula. Valther Maestro deu segurança aos professores para mostrar aos pais dos alunos que eles também precisam entender que o mundo está mudando.

– Nossa realidade é de alunos de pais formados no século 20, com uma visão de educação que não existe mais. Muitas vezes os professores estão conscientes da importância de aplicar métodos mais dinâmicos, mas os pais não permitem, ainda acham que o mais importante é o filho ter o caderno cheio. Os pais têm que entender que caderno cheio não significa conteúdo assimilado. Uma aula diferente pode trazer muito mais conteúdo – destaca.

 

Reprovação – novo conceito

A tendência pela não reprovação dos alunos é, segundo o especialista, uma mudança de paradigma no processo de avaliação que não nasce de políticas de governo, nasce da cabeça dos pesquisadores dos cientistas educacionais.

– Hoje não se consegue pensar num processo de avaliação sem antes traçar um objetivo do que se quer avaliar. Eu não reprovo por conteúdo, porque os conteúdos mudam e passam. As habilidades e competências não passam.

O mundo hoje precisa de gente habilidosa e competente, defende Valther Maestro, que preteriu a Medicina, depois de aprovado no vestibular da USP, para cursar Geografia.

– No momento que traço um objetivo para meu plano de aula, se um aluno não alcança este objetivo, ele pode ser retomado em outro momento em outra disciplina. Os países mais desenvolvidos do mundo no ponto de vista educacional não adotam a reprovação. Isso não é questão de modismo, mas de evolução do processo pedagógico – explica.

Mas isso não quer dizer que a escola esteja livre do compromisso de ensinar. O novo papel da escola é lidar com as habilidades para gerar competência.

– Quando a gente pensa em avaliação, a gente pensa no todo, não em um pedaço. Não da mais para exigir pré-requisito para passar adiante. Hoje, com o livre acesso às informações é possível ter acesso ao conteúdo a qualquer instante.

Valther Maestro defende que o mais importante no ensino é o aluno ser capaz de identificar, comparar e relacionar. Desta forma constrói uma rede de saber mais forte. Neste processo, o estudar não é uma obrigação, é um prazer pela descoberta do conhecimento. Ao estudar consegue ampliar a visão de mundo. Ao estudar consegue explicar uma coisa que não entendia. A escola antiga era a escola do decorar. Hoje a escola é do compreender e, ao contrário do que se pensa, a avaliação é muito mais objetiva, porque tem clareza dos seus objetivos.

 

Escola que evolui

– Vejo aqui na Escola Sete de Setembro uma equipe com vontade de fazer coisas diferentes, antenada no mundo real e que possibilita a formação de pessoas autônomas – observa o palestrante.

Esse momento de preparação é muito importante para a escola e para os professores para planejar as mudanças que não podem ser drásticas, mas gradativas. Ele defende que ao refletir sobre seus planos, os professores adquirem a clareza de que o seu papel é gerar possibilidades de aprendizagem, fazer com que as crianças sejam felizes e livres.

– A estrutura do Sete é centenária, mas o procedimento tem que ser atual e no mundo de hoje  a criança tem direito de aprender também sozinha. Uma vez o professor ensinava tudo e essa possibilidade não existe mais. O nosso mundo era muito pequeno e hoje ele é muito grande. O conhecimento e as informações estão postos. Nós, professores, temos que ensinar os caminhos para que eles, de forma autônoma, possam ir construindo conhecimento com liberdade. Esse é o caminho que a gente está buscando – finaliza.

A qualificação foi resultado de parceria entre a Escola Sinodal Sete de Setembro e a FTD Editora.

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